Ago
06

Reflexidade
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Minha construção plástica é elaborada através da leitura das grandes cidades como aglomerados urbanos e seu poder de sedução. As verticais e horizontais sustentam a transparência das vidraças que se transfiguram em constantes reflexos. Suas ruas e avenidas em sinuosas curvas permeadas de passantes como verdadeiros blocos humanos semeando a vida no concreto inerte.

O vai-e-vem frenético determinando rumos e direções que a propaganda colorida indica: “Siga em frente” “Dobre à esquerda” ou “Entre sem bater”. As calçadas largas ostentam luminosas vitrines povoadas de manequins silenciosos exibindo ofertas permanentes. A cidade é um turbilhão de imagens que se refletem distorcidas criando formas geniais de cores fugazes compondo luzes e sombras em atrativo contraste.

A dualidade está presente nas flores que se abrem, nas portas que deslizam sinalizando a operância da tecnologia que o homem usa sem embaraço.

É movimento puro recheado de atrações onde tudo passa pela fresta da retina curiosa que captura as formas e as reconstrói, é templo de adoração permanente para que o ser humano exerça seu culto à evolução.
Este vasto material é alquímico no sentido de transformar-se em imagem pictórica convincente e permitir sua representação na esfera da arte. Minha pintura não pretende retratar a realidade urbana tal como ela é em sua plenitude e sim apoderar-se desses signos como vocabulário plástico para a construção da narrativa.

As figuras que apresento são o extrato da forma que sintetizam uma anatomia imaginária associada aos reflexos, assim como a geometria é indicativa dos planos arquitetônicos que se deixam maleabilizar pelas cores que tingem a atmosfera dos grandes centros compondo a poesia que dela exala.

Sebastião Rodrigues
   Artista Plástico
     Junho 2006